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Já pensou na fração de segundo em que um curto-circuito acidental em um barramento de alta potência gera um arco elétrico com temperaturas que superam a superfície do sol? Já pensou no risco invisível de uma indução eletromagnética em uma linha que você jurava estar desenergizada, mas que não foi devidamente bloqueada? Já pensou no impacto que uma simples queda de ferramenta de um nível superior pode causar em quem trabalha logo abaixo, ou no que aconteceria se o seu corpo fosse o único caminho para a corrente de falta apenas porque você não usava a luva correta?
Pois bem, o conjunto de EPIs e EPCs nasceu para ser a armadura técnica do eletricista. Eles não são apenas acessórios de uso obrigatório; são sistemas de engenharia projetados para mitigar o erro humano e falhas imprevisíveis. Enquanto o EPC (Equipamento de Proteção Coletiva), como cones, fitas e o sistema de bloqueio (LOTO), isola o perigo do ambiente, o EPI (Equipamento de Proteção Individual) é a última barreira entre o profissional e a energia incidente. Eles são a aplicação prática da NR-10, transformando normas teóricas em sobrevivência real no chão de fábrica ou no topo de um poste.
Nesta seção, vamos desmistificar o uso desses equipamentos. Vamos entender desde a classificação das vestimentas ATPV (Arcing Thermal Protective Value) para proteção contra arco elétrico até a importância da sinalização e do aterramento temporário. Aqui, você vai descobrir que a segurança não atrasa o serviço — ela é o que permite que você termine o dia para começar o próximo.
Para isso, iremos estudar estes materiais utilizando o catálogo da Mosaic, onde alguns produtos estão elencados abaixo.
Alguns conceitos no catálogo para melhor entendimento:
Alta Tensão (AT): No catálogo, apresenta-se alta tensão como sendo superior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra. A critério da norma NBR 5410, e como adotado aqui na seção de Transmissão (ver SEP e definições dos valores de tensão BT, MT e AT), este conceito não está sendo seguido rigidamente pelo catálogo, obviamente por um catálogo voltado à divulgação de um produto. Por tanto, releve a nomenclatura AT e considere como sendo MT para valores acima de 1kV em corrente alternada e 1,5kV em corrente continua e, obviamente, abaixo de 36,2kV.;
Área Classificada: local com potencialidade de ocorrência de atmosfera explosiva;
Baixa Tensão (BT): tensão superior a 50 volts em corrente alternada ou 120 volts em corrente contínua e igual ou inferior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.
REQUISITOS
Procedimentos de Segurança
Antes de iniciar qualquer atividade, deve-se realizar uma avaliação completa da instalação elétrica para identificar os potenciais riscos de choque e arco elétrico.
A desenergização do sistema deve ser priorizada para garantir a segurança é eliminar o risco de choque e arco elétrico, é a forma mais eficaz de controle. Quando a desenergização não é possível ou é parcial, a utilização de equipamentos de proteção coletiva (EPCs), como barreiras e sinalizações de segurança, é uma medida que ajuda a proteger os trabalhadores. Eles funcionam para reduzir a probabilidade de exposição ao risco elétrico.
Para garantir que os profissionais sigam as melhores práticas de segurança, deve-se investir em treinamento contínuo e no desenvolvimento de procedimentos operacionais seguro (POS) que detalham as etapas para desenergizar sistemas com segurança, realizar manutenções, e usar os equipamentos adequados.
Além disso, deve-se estabelecer procedimentos para garantir que a área de trabalho seja devidamente sinalizada e isolada.
Mesmo com as medidas anteriores, é importante que os profissionais usem equipamentos de proteção individual como luvas isolantes, capacetes e roupas de proteção, para minimizar os riscos em caso de falha nas etapas anteriores.
ARCO ELÉTRICO
Ao selecionar EPIs para proteção contra arco elétrico, é fundamental considerar o nível de ATPV (Arcing Thermal Protective Value) para garantir que o trabalhador esteja protegido de acordo com o risco presente no ambiente de trabalho. É proibida a intervenção em instalações elétricas com um ATPV acima de 45 cal/cm², salvo em situações específicas em que a instalação esteja completamente desenergizada. Isso está relacionado ao alto risco de arco elétrico e ao risco de queimaduras severas ou até fatais em caso de falha durante a intervenção em circuitos energizados.
RECOMENDAÇÕES ADICIONAIS
É obrigatório o uso de roupas de 100% algodão por baixo dos EPIs para profissionais que trabalham com eletricidade. O algodão ajuda a garantir a segurança, ao ser não condutor de eletricidade e não inflamável em comparação com outros materiais. Isso contribui para reduzir o risco de queimaduras e aumenta o conforto, ao mesmo tempo que complementa a proteção fornecida pelos EPI's adequados. Roupas feitas de materiais sintéticos como poliéster ou nylon podem derreter ou pegar fogo rapidamente em contato com fontes de calor intensas. Isso pode causar queimaduras graves ou até aderir à pele, o que torna esses materiais perigosos em trabalhos com eletricidade.
Armazenamento correto: Guarde os EPI's em local seco, ventilado e longe da luz direta do sol, fontes de calor ou umidade excessiva, pois isso pode acelerar o desgaste do material.
Substituição regular: Mesmo com limpeza e inspeção adequadas, EPIs como luvas isolantes e botas devem ser substituídos periodicamente, conforme as recomendações do fabricante ou regulamentos de segurança.
LIMPEZA E INSPEÇÃO
A limpeza e inspeção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados em trabalhos com eletricidade são essenciais para garantir a segurança e a eficácia desses equipamentos. A manutenção adequada de EPIs assegura que eles funcionem corretamente, protegendo os profissionais contra os riscos elétricos, como choques e queimaduras. A limpeza dos EPIs deve ser feita com cuidado para não comprometer a integridade dos materiais isolantes e garantir que o equipamento continue funcionando de maneira eficaz.
PROCEDIMENTOS GERAIS DE LIMPEZA
Luvas isolantes: As luvas isolantes devem ser limpas com água morna e sabão neutro. Nunca use solventes ou produtos químicos agressivos, pois podem danificar o material. Após a lavagem, enxágue bem e deixe as luvas secarem naturalmente à sombra, evitando o uso de fontes de calor direto, como secadores de cabelo ou radiação solar, pois isso pode ressecar e enfraquecer o material.
Botas isolantes: As botas devem ser limpas com uma escova macia e sabão neutro. Evite imergir as botas em água por muito tempo e certifique-se de que elas estejam secas antes de serem usadas novamente.
Capacetes e viseiras: O capacete de segurança e a viseira devem ser limpos com um pano umedecido e sabão neutro. É importante não usar produtos abrasivos, que podem arranhar a superfície do capacete. Para as viseiras, use um pano macio para evitar riscos que possam prejudicar a visibilidade e segurança. Evitar: Produtos de limpeza abrasivos, solventes ou químicos fortes, que podem danificar materiais como borracha, couro e outros componentes isolantes e fontes de calor excessivas, como secadores ou lâmpadas de aquecimento, que podem deformar ou ressecar os materiais.
INSPEÇÃO DE EPI's
A inspeção regular de EPIs é fundamental para garantir que eles continuem a proteger adequadamente os trabalhadores contra os riscos elétricos. A inspeção deve ser feita antes de cada uso e em intervalos regulares de acordo com as normas de segurança. Procedimentos de Inspeção:
LUVAS ISOLANTES
1. Verificar a integridade: Verifique se há rasgos, furos, fissuras ou qualquer sinal de desgaste.
2. Teste de inflação: Para as luvas de alta tensão, um teste simples pode ser feito para verificar se há vazamentos, insuflando-as ou usando dispositivos específicos para testar a resistência à pressão interna.
3. Inspeção de marcas de abrasão: Examine a superfície das luvas para detectar sinais de abrasão excessiva ou desgaste, que podem reduzir a eficácia do isolamento.
BOTAS ISOLANTES
1. Verificar rachaduras ou fissuras: Inspecione a borracha ou material isolante em busca de rachaduras, cortes ou desgastes.
2. Teste de vedação: Algumas botas isolantes podem ser testadas para verificar se estão vedando corretamente contra o risco de choque elétrico, muitas vezes através de um teste de resistência elétrica.
CAPACETES E VISEIRAS
1. Verificar rachaduras ou danos: Inspecione os capacetes para garantir que não há rachaduras ou áreas danificadas que possam comprometer a proteção contra impactos.
2. Checar as viseiras: As viseiras devem ser verificadas quanto a riscos, que podem prejudicar a visibilidade, e também se há falhas no mecanismo de ajuste.
ROUPAS E VESTUÁRIOS DE PROTEÇÃO
1. Verificar a integridade do tecido: Certifique-se de que não há rasgos, furos ou desgastes que possam comprometer a proteção.
2. Verificar a vedação: Para roupas específicas contra choques elétricos, como os macacões de proteção contra arco elétrico, inspecione as costuras e áreas de vedação.
TESTE DE ISOLAÇÃO
O teste de isolação é essencial para verificar se o equipamento mantém sua capacidade de isolamento e está apto a proteger o trabalhador contra choques elétricos. Esses testes devem ser realizados anualmente ou conforme especificado pelo fabricante, e a unidade deve documentar os resultados. Se o teste de isolação indicar que o EPI não está adequado, ele deve ser descartado, e não deve ser utilizado pelos trabalhadores.
DESCARTE DE EPI's
Caso o EPI apresente qualquer defeito durante a inspeção, ele deve ser imediatamente retirado de circulação para evitar que o trabalhador seja exposto a riscos. EPIs danificados ou fora da validade devem ser substituídos imediatamente.