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Em uma instalação industrial, nem sempre o objetivo é apenas alimentar um dispositivo, mas sim controlar a forma como ele entrega trabalho. Quando lidamos com motores elétricos de indução — os verdadeiros "músculos" da indústria —, ligá-los diretamente à rede elétrica significa que eles operarão em uma velocidade fixa, determinada pelos 60Hz da rede distribuidora. No entanto, muitos processos exigem variações precisas de velocidade e torque, como em esteiras transportadoras, ventiladores, bombas hidráulicas e pontes rolantes. É nesse cenário que o Inversor de Frequência se torna indispensável.
O funcionamento deste equipamento baseia-se em um princípio fundamental da física elétrica: a velocidade de rotação de um motor de corrente alternada é diretamente proporcional à frequência do sinal que o alimenta. O inversor atua como um intermediário inteligente que recebe a tensão e frequência fixas da rede, converte-as internamente e devolve ao motor uma onda de tensão e frequência variáveis. Isso não apenas permite o controle total sobre a rotação do motor, mas também garante partidas e paradas suaves, eliminando picos de corrente e protegendo a mecânica do sistema.
A escolha do inversor de frequência correto exige atenção técnica rigorosa. É necessário considerar a potência do motor, o tipo de carga, o regime de trabalho e até as condições do ambiente de instalação. Um dimensionamento incorreto pode resultar em perda de eficiência, superaquecimento ou falhas prematuras no isolamento do motor. Existem diferentes tipos de Inversores de Frequência a depender da classificação: Modo de Controle, Tensão e Frequência; pelo setor: Inversores para Energia Solar; e pela configuração de alimentação: Inversores Monofásicos e Trifásicos.
MODO DE CONTROLE: Esta é a divisão mais comum no manual técnico de qualquer fabricante (WEG, Siemens, ABB). Para esta classificação, existem o inversor escalar e o inversor vetorial. O nome Modo de Controle refere-se à estratégia matemática que o processador interno do inversor utiliza para decidir como vai manipular a energia para o motor. Imagine que o inversor é o "cérebro" e o motor é o "músculo". O Modo de Controle define se esse cérebro vai dar ordens simples e constantes ou se vai analisar cada detalhe do movimento em tempo real.
INVERSOR ESCALAR: É o tipo mais simples. Ele mantém uma relação fixa entre a tensão (V) e a frequencia (f). É excelente para cargas que não exigem muita força na partida, como ventiladores e bombas centrifugas. É a opção mais barata. Tem esse nome pois baseia-se em grandezas numéricas fixas.
INVERSOR VETORIAL: Muito mais sofisticado. Ele consegue separar o que é corrente para criar o campo magnético do que é corrente para gerar o torque. Isso permite que o motor tenha força total mesmo em rotações baixíssimas (quase parado). É usado em elevadores, guindastes e máquinas que precisam de precisão extrema. Tem esse nome pois baseia-se na posição e direção dos campos magnéticos.
TENSÃO E FREQUÊNCIA: Esse nome existe porque os inversores também são classificados com base nos limites físicos de energia que eles conseguem manipular. Enquanto o "Modo de Controle" diz respeito à inteligência (software), a "Tensão e Frequência" diz respeito à força e velocidade (hardware).
INVERSORES PARA MOTORES DE INDUÇÃO COMUNS (60Hz): São os que usamos no dia a dia da indústria para motores padrão.
INVERSORES DE ALTA FREQUÊNCIA: São drivers específicos para Spindles (motores de CNC) que chegam a 1000Hz (1kHz) ou mais. Eles possuem componentes internos muito mais rápidos.
INVERSORES DE MÉDIA TENSÃO: Equipamentos gigantes (do tamanho de armários) usados em mineração ou saneamento para motores de 2,3kV, 4,16kV ou mais.
INVERSOR PARA ENERGIA SOLAR (ON-GRID/OFF-GRID): Muita gente confunde, mas o Inversor Solar é um "primo" do inversor industrial, mas com uma função diferente: enquanto o industrial foca em variar a velocidade de um motor, o solar foca em transformar a Corrente Contínua das placas solares em Corrente Alternada idêntica à da rede elétrica para injetar energia na casa ou na rua. Eles possuem uma tecnologia chamada MPPT (Maximum Power Point Tracking ou Rastreamento do Ponto de Máxima Potência) para extrair o máximo de sol possível.
INVERSORES NONOFÁSICOS E TRIFÁSICOS: Englobam todas as classificações acima.
ENTRADA MONOFÁSICA/SAÍDA TRIFÁSICA: Permitem ligar um motor trifásico de 220V em uma residência que só tem tomada comum. É a salvação de pequenas marcenarias e oficinas;
ENTRADA TRIFÁSICA/SAÍDA TRIFÁSICA:: O padrão industrial para potências elevadas.
CÓDIGOS DE FALHA
Além dos tipos de inversores, que é de fundamental importância de se ter conhecimento, é importante também ter noção das sinalizações que os próprios inversores emitem em sua interface, indicando problemas no dispositivo ou, ainda, na própria instalação. Para quem atua na manutenção elétrica, deparar-se com um código piscando no display do inversor de frequência (como um F001, OC ou E02) é um cenário comum. Embora esses códigos possam parecer confusos à primeira vista, eles seguem uma lógica de proteção rigorosa. O inversor não "trava" por acaso; ele interrompe a operação para preservar a integridade dos seus próprios componentes semicondutores e, principalmente, para evitar que o motor sofra danos irreversíveis. Essas sinalizações dividem-se basicamente em duas categorias: os Alarmes, que funcionam como avisos preventivos enquanto a máquina ainda opera, e as Falhas (ou Erros), que provocam o desligamento imediato do sistema por segurança.
A inteligência do inversor permite que ele monitore constantemente três áreas distintas, transformando anormalidades em códigos específicos:
Área de Potência e Rede: Erros relacionados à qualidade da energia que chega (Subtensão/Sobretensão) ou à forma como a energia é dissipada durante a frenagem.
Área do Motor e Carga: Detecção de curtos-circuitos, fugas para a terra ou esforços mecânicos excessivos que forçam o motor além de sua curva nominal de corrente.
Área Interna e Ambiente: Sensores que monitoram a temperatura dos dissipadores de calor, o funcionamento dos ventiladores internos e a integridade dos circuitos eletrônicos.
Entender essa "gramática" técnica é o que diferencia o eletricista que apenas "reseta" o erro daquele que soluciona a causa raiz. Ao longo deste guia, veremos que, embora cada fabricante (como WEG, Siemens ou Schneider) adote uma nomenclatura própria, os eventos que disparam essas proteções são universais e fundamentais para a continuidade operacional da indústria.
INVERSOR DE FREQUÊNCIA APRESENTA ERRO "F006"
Quando o inversor acusa F006 (Falta de Fase), ele está detectando um desequilíbrio crítico. Ele monitora as três correntes de saída (U, V e W).
Se uma dessas correntes for zero ou muito menor que as outras enquanto o motor deveria estar girando, o inversor trava para evitar que o motor "ronque" e queime.
Acompanhe clicando na guia "clique aqui para saber mais" abaixo e expanda o seu horizonte sobre os inversores de frequência.
Todo inversor apresenta uma gama de códigos que denunciam erros assim que eles aparecem, no entanto nem todo inversor apresenta as mesmas nomenclaturas para suas falhas visto que existem muitos inversores de frequência, e inversores solares, no mercado, cada um com suas caracteristicas exclusivas. Por isso, nesta guia você irá conhecer os códgos de falhas dos inversores de cada empresa que vende no Brasil.